O retorno.

Se eu estou bem? Não. Se estou magoada e confusa? Estou. Se eu gostaria de escrever tudo o que sinto sem ter que pensar sobre isso antes? Isso mesmo.

Eu sou uma pessoa sozinha, isso é um fato. Se eu realmente olhar ao meu lado, a impressão que dá é que eu realmente não tenho ninguém. Sabe, aqueles amigos que aguentam tudo por você e que estão dispostos a te ver feliz? Pois então, tá em falta na minha vida. É gente saindo, gente entrando, gente me machucando e eu, eu não existo. Tem gente que eu imploro que fique, mas não fica. Tem gente que não se dá nem ao esforço de fingir que tá saindo ou que já me excluiu da sua vida social. Ninguém tem ideia do que eu faço pra manter aqueles quem eu gosto perto.

Eu sou estressada? Sou rude? Grossa? Antipática? Complicada? Todo mundo é. Sério mesmo, nem vem com essa conversinha que tem gente que não é assim e blá blá blá… Todo mundo é, foi ou será; isso é que nem ser devedor do SPC. Mas me tolerar, me aguentar, realmente se importar comigo, quase ninguém se importa. Se eu faço alguma coisa errada, pronto já é motivo de ficar chateado(a) comigo e passar uma semana sem nem olhar na minha cara, enquanto eu tenho que aguentar vocês irem embora e voltarem pra minha vida ao bel-prazer de vocês. É tudo amizade condicional, não é?

Eu vejo pessoas pisando aqueles a que eu gosto, tratando mal, falando pelas costas, ignorando, rindo, zombando, fingindo que nem conhecem e essas pessoas são as mais amadas, mais cheias de atenção, mais presenteadas que eu já conheci. Não faz sentido, sabe, não faz.

Sabe aquela menina que todo mundo só se reúne pra falar mal? Que nunca teve uma qualidade ressaltada sem ironia ou sem ter algum defeito sendo apontado por trás? Pois então, prazer. Sempre esquecida, sempre ignorada, sempre alvo de fofocas e de panelinhas.

Droga! É insuportável! Muito insuportável! As pessoas riem de mim, fazem chacota de mim e eu tenho que aguentar tudo calada porque se não, eu levo nome de estressada e de tudo no mundo. Eu já errei, mas quem nunca errou? Nunca? Atire em mim a primeira pedra. Eu sou humana como você que está lendo esse texto.

Ninguém tem ideia de quantas vezes eu já fui traída; ninguém tem ideia de quantas vezes, pessoas que eu considero muito, já falaram mal de mim; ninguém tem ideia do que é se sentir desvalorizado; eu sou cheia de defeitos e erros, mas eu também sou cheia de feridas. Cheia de marcas que ninguém conhece, nem se dispõe a conhecer.

Me sinto traída quando vejo uma pessoa que eu chamava de amiga esquecer de mim. Fingir que eu não existo sem motivo algum. Ver pessoas que eu gosto ficarem com raiva de mim por causa de nada.

Eu tento me encaixar, todos os dias. Eu tento ser uma pessoa melhor, todos os dias. Eu tento ser amiga, companheira, legal mas ninguém parece ligar. As pessoas só ligam para os defeitos, essa é a grande verdade. Eu já tentei de tudo pra manter as pessoas perto de mim, mas parecem que elas decidem ir embora e esquecem que eu existo.

Eu existo pra vocês? Eu realmente existo? Vocês realmente me enxergam? Enxergam os meus esforços? Ou eu sou uma parede branca que não tem função nenhuma?

As coisas que mais me doem são as coisas que mais fazem comigo. A maioria me trata como se eu fosse uma zé ninguém. O que foi que eu fiz pra vocês fazerem isso comigo? Me digam, por favor. Assim como vocês sabem apontar os meus defeitos, saibam me dizer porque vocês me ignoram. Cadê a coragem? Cadê a irreverência, a graça?

Se vocês vão embora, porque vocês chegam?

Vai ter alguém que vai ler esse texto e vai me chmar de dramática e todos os sinônimos possíveis. Sou só isso pra você ou sou mais? Me diga aí. Já me acostumei a levar muitos nomes por causa de coisas que não fiz.

Por favor, não me chamem de amiga, se vocês não conseguem lidar comigo.

Anúncios

Sem valor estimado.

Ninguém sabe o poder de um abraço. Ninguém. Somente aquelas pessoas que, um dia, já precisaram de um. Precisaram e não tinha ninguém para dá-lo. Essas pessoas sabem como um abraço pode mudar uma situação e como ele é benéfico para ambos os lados.

Você está ali, chorando e tudo o que você mais quer é alguém que venha te abraçar e você recoste a cabeça no ombro desta e derrame todas as lágrimas e soluce. É um conforto, é um alívio. É saber que existe alguém com você.

Porque, no fim das contas, mesmo com tantos problemas, a gente só precisa de um abraço.

O que é, o que é?

É olhar para um lado e para o outro e não ver ninguém ao seu redor. É chorar por precisar de um abraço e não tem que o dê. É falar e não ter ninguém pra ouvir. É sentir um peso no coração e não ter com quem compartilhar. É necessitar de um colo pra descansar e não ter. É querer um ombro amigo pra encostar a cabeça e não achar. Isso, meus amigos, é a solidão.

Insônia, insegurança, ilusão.

Em meio a um abraço maior do que eu, pela primeira vez, pude sentir todas as coisas sobre você que eu sonhava. Não sei bem o que, mas acho que como você me abraçaria, ou como tudo se encaixaria, como meu coração se encontraria com o seu lado direito… coisas assim, coisas melosas que me fazem parecer uma adolescente de doze anos, e não aquela pessoa madura ao qual você me descreve. Eu queria abraçar você, queria uma despedida. Foram dois meses, e eu não queria que tudo terminasse com uma conversa triste, a daquele dia. Eu não falei nada, não expressei, porque o que eu queria estava dando certo. Um abraço não simples, não rápido, não improvisado. Pensado e confortável, como manda o figurino. Queria outro abraço desses e todas as coisas que ele me proporcionou e a certeza de todas as outras coisas que eu já te falei. Uma insônia provocada, suspiros ao bater da porta e uma imensa felicidade e sentimento que transbordou em minha oração. Efeitos colaterais latentes seus sobre mim.

Aquilo foi um “adoro você”? Não sei, o meu ouvido não é tão absoluto assim, mas só em ouvir você falar sobre mim, eu tenho certeza de que não foi algo ruim. Num piscar de olhos, eu vi os dois meses na minha frente, passando como filme na projeção de minha íris, como foi bom, como foi triste. Eu chego a pensar que o meu sonho estava me contando o fim dessa noite, só que faltaram alguns detalhes, mas nada que tirasse a essência. Foi como se tudo não tivesse tido um fim, como se aquela conversa não tivesse sido conversada e nós estamos bem.

Não sei o que está passando na sua cabeça agora, às 23:46 da noite de domingo, ou se você está dormindo, mas espero eu que isso não tenha passado batido pra você. Se tiver, que droga! Vou sofrer, vou chorar e me perguntar porque fui tão tola ao ponto de não conseguir dormir por sua causa, e porque escrevi dois textos pra você… Desejo agora que não tenha passado batido, que isso tenha tido um significado e que você lembre de mim, mas paciência, as coisas da sua cabeça, só quem sabe é você.

Ao fechar os meus olhos agora, relembro a cena, lembro o meu sonho, e o coração bate; não queria sair dali, não queria deixar você, nem ir embora. Se eu disser (achar) que pra você significou alguma coisa, ou que você também sentiu algo, estarei eu mentindo ou devaneando? Por favor, me responda. Não quero mentir pra mim mesma mais uma vez. Não me engane. Não sei mais o que escrever, descrever é impossível. Sentimentos não são descritos tão facilmente assim, não para quem vos fala. Acho que estou ficando meio doida, ou estou sentimental: o que acaba dando no mesmo. Vou sentir falta de tudo isso se tudo mudar, acredite. O que eu tive vontade de fazer? Bem, noutro dia eu te falo, não consigo descrever atitudes. Agora, eu vou deitar-me, amanhã minha vida recomeça. Dormir não, porque eu tenho o que pensar ainda. Uma coisa eu te digo: tudo aquilo que você me disse hoje, eu levarei a sério.

P.S.: O que eu disse naquela mensagem, naquela cheia de informações aleatórias, pode sim, ser um pouco de verdade.

Nostalgia presente.

O tempo passa, as horas correm e os minutos voam. O relógio tique-taca sem parar. Tudo passou, já foi. Aconteceu, não dá para acontecer de novo, não com a mesma intensidade, não com a mesma felicidade. Agora que passou, eu vejo como foi bom, como eu fui feliz, como os sorrisos foram fáceis e como escrever textos era simples. É com essa nostalgia (e carência) que eu quero encontrar minhas lembranças, minhas memórias. Vasculhar cada uma delas e ver que, mesmo com defeitos, foi lindo. Já escrevi cinco linhas porque quero adiar o final, não quero terminar por aqui, mas aqui termino: o tempo passou, o presente virou passado e o que ficou? Ficaram as lembranças, os momentos felizes e a saudade de tudo. Mesmo sabendo que eu estou aí estando aqui, foi intenso demais para não ser sentido e lembrado. Por fim: eu amei e sempre amarei.

Invisibilidade.

Uma vez, em seu livro “Doidas e Santas”, Martha Medeiros contou uma história que aconteceu com ela. Ela estava na sala de embarque, esperando seu voo, sentada em uma cadeira e de repente, um homem (gordinho) veio em sua direção, e fez como quem ia se sentar na cadeira. Isso mesmo, na cadeira dela. Isso mesmo, em cima dela. Ele não a viu.

Você pode se perguntar “Como assim? Como ele não viu que ela estava naquela cadeira?” Ele simplesmente não viu. Assim como a gente também não vê quando o nosso vizinho (aquele chato) acena e nos dá “bom dia”. Assim como a gente não vê quando uma pessoa que trabalha/estuda no mesmo lugar que você passa por você, sem o uniforme. Assim como a gente não vê as coisas boas que aconteceram na nossa vida. Do mesmo jeito que a gente não vê isso, aquele homem não a viu.

Você irá dizer “Mas é uma pessoa, como não ver uma pessoa?” É né, pois é! É uma pessoa, como não vê-la? Essa pergunta tem que ser feita a você mesmo. Sabe aquela pessoa que era sua amiga e, dias atrás, sentou do seu lado no ônibus, e você não falou com ela porque não viu? Como você não a viu? Ela é uma pessoa! E aquele rapaz que entrega sua pizza, que falou com você no meio da rua e você não o viu? Ele é uma pessoa, como pode ter você não o visto?

“Ah não, é diferente.” Diferente porque? Existem duas pessoas na história, uma viu a outra, mas a outra não a viu. “Ah, mas é diferente, ele ia sentar em cima dela.” É, você não sentou em cima da pessoa, mas você não a viu. Do mesmo jeito do homem.

Só que existe um detalhe: você, supostamente, não viu. Você finge que não vê, que não conhece e que não lembra. Mentira minha? Não. Porque eu também faço isso, infelizmente. Só que o que acontece é que de tanto a gente “não ver”, de tanto “passar batido”, as coisas ficam verdadeiras. O “não te vi” passa a ser uma cegueira, e o “passar batido”, esquecimento. E as pessoas vão sendo deixadas para trás, sem a mínima atenção. Sem explicação.

Afinal, o cara da pizza não é tão conhecido assim, não é? Aquela sua antiga amiga, faz quanto tempo, quatro anos que não fala com você, então pra que reconhecê-la? Lembre-se que não existe só você, existem os outros.

“Moral da história: preste atenção. Mesmo onde você enxerga um vazio, pode ter gente dentro.” (Martha Medeiros)

Poucos? Bons!

Sempre fui solitária e sozinha. Me calei sobre coisas da minha vida durante muito tempo, deixei sentimentos serem esquecidos e sempre evitei conversas profundas sobre mim. Tranquei minha vida com um cadeado barato, daqueles que a chave enferruja depois de um tempo. Fiquei assim, só e calada, por muito tempo. E isso me fez ver algumas verdades doloridas.

Não tenho muitos amigos. Acho que posso contar nos dedos os que são realmente verdadeiros. Existem aqueles que você considera e eles não e tem os contrários, que te consideram e você, não. Na vida, houveram momentos em que eu não soube lidar com a situação e acabei por estragar tudo. Isso fez com que eu perdesse uns cinco ou seis amigos, e mais uns quatro de consideração. Se me dói falar disso? Dói, mas é a verdade. Com isso, eu tive que aprender que nem todo mundo é de ferro, e que eu precisava tratar melhor as pessoas. Cresci, mas foi pouco. Durante o meu crescimento, perdi mais uns três a quatro. Mas perdi, eu, não a vida que me tirou. Fiz coisas erradas e tudo foi consequência. Por errar tanto, acabei por me impor a lei dos poucos amigos. E sinceramente, é o que deveríamos fazer.

Não sou do tipo de pessoa popular, carismática e querida. Isso eu deixo para os meus amigos. Fico à sombra, detesto ser notada ou ser assunto da conversa. Não gosto de atenção, sou cinza. Não tenho inúmeros comentários nas minhas fotos nas redes sociais em que interajo e meu telefone passa um dois dias sem receber ligações que não seja da minha mãe, normal. Não recebo muitos convites para festas e também não acho que deva. Sei muito bem aonde eu sou bem-vinda.

Olhando para os amigos que perdi e vendo a vida deles hoje, penso que foi melhor assim. Não sou o melhor tipo de pessoa do mundo e bem, verdade seja dita, não sei fazer felicidade. Mas uma coisa é certa, quem está comigo me ama.

Com esse meio jeito turrão e rude de ser, você acaba por peneirar as pessoas ao seu redor. Existem as que chegam e vão embora porque não te aguentam, outras que vão porque você perde e tem as que ficam. Aquelas que estão dispostas a entender você e aguentar os seus comentários sarcásticos. Essas pessoas, elas tem seu espaço na minha vida.

Atualmente, eu tenho tido a oportundidade de começar a minha vida em todos os aspectos. No quesito amizade, não preciso comentar. Encontrei pessoas de todos os jeitos e cores que gostam de mim e me respeitam e não querem que eu mude (só quando eu erro, porque né). Essas pessoas não me deixam comentários, não me ligam todos os dias e não me fazem ser top top na balada. Mas elas foram pessoas que não quiseram saber do meu passado, que nunca me perguntaram o porquê de eu ter errado tanto. Essas pessoas me querem no presente e não no passado. Elas foram as únicas que se dispuseram a passar pelo ácido de bateria que existe ao meu redor, mesmo sabendo que isso seria mortal.

Depois de tudo isso, de todas essas provas, eu concluo: do que adianta ter celular tocando toda hora, se no momento em que você precisa, ninguém está lá?

P.S.: Quando você apenas mudar o tom de voz e alguém perceber, chame esse pra tomar um café. Ele pode ser o que se importa.