O que faremos nós?

Sua mãe vai morrer. Desculpe leitor pela sequidão de minhas palavras, mas não há jeito legal de dizer más notícias… Ok então, ela não é eterna. Melhor?

Seu vizinho morre, seu gato, a antiga professora, o porteiro, o pedreiro da construção… Todo mundo morre, porque ela não haveria de morrer também? Para mais de seis bilhões de pessoas, ela é uma pessoa qualquer também. Ela é a tia da cantina, a professora, a vizinha. Vê?

“Mas, minha mãe é especial demais pra mim, como viverei sem ela?” Bom, não posso mudar o ciclo da vida. Você tem a informação, utilize-a. Sua mãe não é imortal.

Agora que já tenho a sua atenção, quero que entenda o meu ponto: nossa mãe morre todos os dias e a culpa, na maioria das vezes, é nossa. Cada grito, cada resposta, uma saída sem despedida… Ela morre. Já imaginou quantas vezes já matamos nossa mãe por dia?

A realidade está aí. O que você pode fazer? Aproveitar enquanto o tempo é nosso amigo, se posso chamá-lo assim. Sua mãe morreu um pouco hoje e o que você ofereceu para ela? Um motivo pra viver ou pra morrer?

P.S.: Esse texto não é para as mães, até porque muitas delas nem usam internet. É para nós, os filhos que esquecemos da mortalidade da nossa mãe e esquecemos também que, no fim do dia e das contas, ela é a única que fica realmente do nosso lado.

O ontem no hoje.

Um viva para o dia de hoje! A dor de cabeça não veio me visitar, aquela sensação de tédio inesgotável não deu as caras e a inspiração está sendo minha companhia. Acho que tudo isso se deu pelo fato do que que aconteceu ontem. Sabe, chorar, desabafar, colocar toda aquela raiva vermelha para fora, alivia a alma, deixa as coisas mais leves e mais simples de serem resolvidas. De repente, tudo foi embora, todas aquelas negras sensações, e só o que ficou foi o bem-estar. Devemos nos permitir fazer uma limpeza na alma, todos os dias. Até quando você acha que está tudo bem, sua alma sempre carrega um segredo que você não sabe. Ao fazer isso, até o seu relacionamento com Deus melhora. Porque tem mais espaço para Ele habitar dentro de você, entende?

Traga para dentro, apenas os sentimentos bons. Os ruins, você faz como os chinelos, deixa na soleira da porta.

Aqueles dias.

Sabe aqueles dias em que você acorda com dor de cabeça, e parece que nada está funcionando? Talvez isso seja por causa de dores acumuladas, desabafos engolidos a força goela abaixo com ajuda de um copo d’água. Nesses dias, se permita chorar, colocar toda essa tristeza para fora. Se não se guarda dinheiro, vai guardar tristeza para que?

Importa?

 

Apesar de não ser muito próxima dela, eu fui lá conversar. Saber o que estava acontecendo. Afinal, estava óbvio que alguma coisa grave tinha acontecido, ela passara a manhã inteira com a voz falhando e com a cara de quem não suporta mais tantas coisas. Nossa, ela estava mal. Quando eu apareci, ela só não começou a prantear devido ao ambiente em que estávamos. Eu não sabia que alguém podia ser tão frágil. Ela estava mal, eu fui ajudar. Uma estrangeira atravessando a fronteira de um mundo totalmente novo e desconhecido. Enquanto eu estava com ela, amigos passavam, conhecidos passavam e ninguém parava. Ninguém dava sequer um “oi”. Escutei depois uma amiga dela chamando para ir embora, mas nem um pouco comovida com o quadro em que ela se encontrava.

Pode alguém ser tão alheio a outro, dessa forma? Pode sim. As pessoas mais próximas, às vezes, são as mais indiferentes, são as que não enxergam a sua dor, as que ficam cegas. Ou se não, é só gente que não se importa. Ok, ela está mal, não posso fazer nada então vou fingir que não vi. Ou se não, já sei qual é o problema, como já sei, não vou nem perguntar o que é. Não esqueça que um dia, você poderá estar nessa situação e bem, você vai sentir o quanto a indiferença dói.

Você se importa com os sentimentos dos outros, como eles estão se sentindo, se a temperatura está boa. Mas não fique aflito, nem se entristeça quando ver que, aquela pessoa que deveria se importa não se importa. Aquilo que é totalmente relevante para você, para outros é só mais um detalhe que pode passar batido.

Feche a gaveta.

Tem coisa que me irrita, tem coisa que me incomoda. Tem coisa que me faz gritar alto, contar até mil (de trás pra frente) e que me faz perder o juízo. Existem aquelas coisas que me irritam, mas que me dão o que pensar.

Pare e pense em tudo que irrita você. Tudo, tudo mesmo. Se sentir um pouco de cólera ao pensar nisso, normal. Só não deixe isso sair do controle, não fique com raiva pra valer. Só reflita. Nós temos um calcanhar de Aquiles, não importa quem nós somos. De Gandhi a Osama, todo mundo tem um ponto fraco, uma coisa que te faz perder as estruturas. Não são os mesmos sintomas da irritação? Oh sim, são.

Uma coisa que me irrita muito é bater o meu cotovelo em algum lugar. Se você quiser me ver xingando, espere eu bater meu cotovelo em algum lugar. Dessa vez, eu o bati na gaveta do birô. Ela estava aberta, eu estava no computador e sempre, sempre que eu mexia o meu braço, lá estava a quina da gaveta dando uma alfinetada no meu ombro descoberto. Foi a primeira, foi a segunda, a terceira… Na quarta, eu me irritei e pronto, fiquei irritada.

Se você for uma pessoa esperta, vai me dizer pra fechar a gaveta ao invés de ficar irritada, certo? Totalmente certo. Ao invés de me irritar por estar batendo o cotovelo na gaveta, eu devo fechá-la e então, meu problema será solucionado. E foi isso que eu fiz. Me irritei e fechei a gaveta, simples como um miojo. E agora eu estou super alto astral.

Muitas explosões de raiva que nós temos se dá por gavetas que nós não fechamos. Sabe o que é fechar a gaveta? Quando sua mãe brigar com você por causa da toalha molhada na cama, não se irrite: feche a gaveta. Vá lá, pegue a toalha e estenda! Você acabou de fechar a gaveta que batia no seu cotovelo. Quando o seu professor brigar com você por causa da sua conversa, não se irrite e solte alguma piadinha: feche a gaveta. Pare de conversar ou se não, mude de lugar! Pronto, mais uma gaveta fechada. Feche as gavetas e sua irritação será guardada dentro dela.

Mas, não feche só as suas gavetas. Feche as gavetas dos outros. Se você acha que irrita alguém, que está machucando alguém, pare. Se você não gosta de bater o seu cotovelo na gaveta, porque eu gostaria?

Meu amor meu

Hoje em dia se fala muito de amor pelos outros. Todo mundo anda perguntando aos outros e a si próprio “onde está o amor?”. Andam por aí dizendo que o mundo está do jeito que está porque ninguém ama mais ninguém. Porque todo mundo esqueceu o que é o amor e que hoje em dia, o mundo não tem mais jeito. Eu já falei sobre amor algumas vezes aqui e acho que não vou parar de falar nunca, é o sentimento mais complicado e mais fofo, pra mim. Sair por aí dizendo que precisamos amar uns aos outros não vai mudar a situação de que ninguém ama mais ninguém. É preciso fazer mais do que falar.

Antes de tudo, o amor é um sentimento. Totalmente complicado e bizarro, mas é um sentimento. Difícil de ser sentido e difícil se ser guardado, quando se é sentido. O amor é o sentimento que gera tudo, até ódio. Escreve o que eu estou dizendo porque é a pura verdade. Existe um ditado que diz “para poder receber, é preciso dar”. Se você for esperto, você já percebeu aonde eu quero chegar. Se você não ama, como você quer ser amado?

Cobrar, no mundo de hoje, é a coisa mais simples do mundo. É só abrir a boca e proferir algumas palavras e pronto. Você já deve ter cobrado uma porção de coisas, só hoje; ou pelo menos, pensado em cobrar. Quando você cobra, alguém faz. Certo? É uma relação direta que não há muito o que contestar. Mas existem coisas que devem ser cobradas por nós à nós.

Como você cobra por uma coisa que você não dá? Como você cobra por amor se você não o conhece? Antes de pedir amor, você tem que dar amor. Ele é o sentimento menos egoísta que eu já vi. Você pode cobrar todo o amor do mundo e tê-lo, mas enquanto você não saber como é, você não vai conseguir reconhecê-lo.

Ah, então tá, eu vou parar de cobrar amor, vou passar a dar amor. Ok, primeiro passo completo. Mas, para você dar, é preciso ter. Você tem amor? Você, ao menos, já o sentiu? Para amar alguém, você tem que ter amor. E de onde surge esse amor? De você. É uma troca múltipla. Você sente amor, você o dá, daí você recebe e isso vai passando de pessoa para pessoa. Mas antes de tudo, você tem que se amar. Amor não é como dinheiro, que você recebe de alguém e, logo em seguida, já tem conta para pagar. É preciso ter (no sentido mais profundo da palavra) amor pra poder dá-lo. Você não vai pegar o amor de alguém e transferi-lo pra outra pessoa, sendo você o aviãozinho. Porque isso vai ser farsa de sentimento e você, um hipócrita. Amor-próprio, essa é a palavra.

Quando você se olha no espelho o que você mais vê? Defeitos ou qualidades? Tudo o que você faz fica bem feito, ou é uma porcaria? Você sorri, você quer o bem das pessoas ou você é cinzento e pouco liga para os outros? Analise suas perguntas antes de me perguntar o que é amor. Mas não confunda amor com egoísmo, por favor. Egoísmo é você achar que todos são menore do que você, que você é melhor do que todos. O amor não é egoísta; pelo contrário, quem ama é humilde. Humilde ao ponto de se anular por alguém. Humilde, ao ponto, de esquecer todos os problemas que essa pessoa já te fez passar. Isso é amor. Qualquer coisa diferente, é falsidade.

Se ame. Todo mundo tem defeitos, mas todo mundo tem qualidades. Todo mundo tem pontos fracos, mas todo mundo tem pontos fortes. Existem os dias cinzentos, mas também existe o sol. Ame-se. Se você não se valorizar primeiro, ninguém mais vai fazer isso por você. Se você não tiver consciência de quem é você, ninguém vai saber quem você é. O amor começa em você. Se você não se amar, você não vai amar ninguém.