Eu só queria ser menos influenciável.

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Assumo meu erro!

E quem nunca cometeu um erro? Só essa semana acho que cometi uns dois. Dois graves. Porque erros pequenos a gente comete todos os dias. Quem assume que comete erros? Assumir que comete erros é quebrar o estereótipo de “perfeição” que a gente acaba criando pra nós e para os outros. Eu errei, erro e errarei. Você também, e você sabe disso.

O pior do erro é o sentimento de culpa que vem acompanhado, se você for uma pessoa normal. Aquela distração, mãos frias, cabeça pensando longe e a velha comparação de que ‘”eu sou pior do que todo mundo”.

Pensar desse jeito é o meu lema. A baixa autoestima é minha companhia e não há muito o que fazer. Mas, aos poucos, você vai aprendendo que todo mundo já cometeu erros piores que você. A diferença está em encará-los de frente e assumi-los. Pouco importa se fulano ou ciclano ficarão decepcionados. O pior é fingir que você não fez nada. Isso, amigo, é hipocrisia.

Desde ontem acordei tentando mostrar pra mim mesma que não sou tão horrível assim porque cometi um erro. Pelo menos, o assumo. Não o coloquei no mundo e sou uma mãe desnaturada. Cometi um erro ao qual estou disposta a assumir as consequências, sejam quais forem. Estou arrependida por tê-lo feito, mas quem manda nos impulsos? Ninguém. Nem adianta.

Coloquei a cabeça no travesseiro pedindo perdão e pensamentos invadiram a minha cabeça. Pensei que nenhuma outra pessoa de caráter erraria do jeito que fiz, mas depois percebi que meu erro se equipara a qualquer outro simplesmente porque veio da mesma fonte. Só envolvia assuntos mais sérios.

Quem nunca falou demais? Quem nunca deixou a língua falar antes da cabeça pensar? Só com quem nunca aconteceu isso pode dizer qualquer coisa sobre mim.

O retorno.

Se eu estou bem? Não. Se estou magoada e confusa? Estou. Se eu gostaria de escrever tudo o que sinto sem ter que pensar sobre isso antes? Isso mesmo.

Eu sou uma pessoa sozinha, isso é um fato. Se eu realmente olhar ao meu lado, a impressão que dá é que eu realmente não tenho ninguém. Sabe, aqueles amigos que aguentam tudo por você e que estão dispostos a te ver feliz? Pois então, tá em falta na minha vida. É gente saindo, gente entrando, gente me machucando e eu, eu não existo. Tem gente que eu imploro que fique, mas não fica. Tem gente que não se dá nem ao esforço de fingir que tá saindo ou que já me excluiu da sua vida social. Ninguém tem ideia do que eu faço pra manter aqueles quem eu gosto perto.

Eu sou estressada? Sou rude? Grossa? Antipática? Complicada? Todo mundo é. Sério mesmo, nem vem com essa conversinha que tem gente que não é assim e blá blá blá… Todo mundo é, foi ou será; isso é que nem ser devedor do SPC. Mas me tolerar, me aguentar, realmente se importar comigo, quase ninguém se importa. Se eu faço alguma coisa errada, pronto já é motivo de ficar chateado(a) comigo e passar uma semana sem nem olhar na minha cara, enquanto eu tenho que aguentar vocês irem embora e voltarem pra minha vida ao bel-prazer de vocês. É tudo amizade condicional, não é?

Eu vejo pessoas pisando aqueles a que eu gosto, tratando mal, falando pelas costas, ignorando, rindo, zombando, fingindo que nem conhecem e essas pessoas são as mais amadas, mais cheias de atenção, mais presenteadas que eu já conheci. Não faz sentido, sabe, não faz.

Sabe aquela menina que todo mundo só se reúne pra falar mal? Que nunca teve uma qualidade ressaltada sem ironia ou sem ter algum defeito sendo apontado por trás? Pois então, prazer. Sempre esquecida, sempre ignorada, sempre alvo de fofocas e de panelinhas.

Droga! É insuportável! Muito insuportável! As pessoas riem de mim, fazem chacota de mim e eu tenho que aguentar tudo calada porque se não, eu levo nome de estressada e de tudo no mundo. Eu já errei, mas quem nunca errou? Nunca? Atire em mim a primeira pedra. Eu sou humana como você que está lendo esse texto.

Ninguém tem ideia de quantas vezes eu já fui traída; ninguém tem ideia de quantas vezes, pessoas que eu considero muito, já falaram mal de mim; ninguém tem ideia do que é se sentir desvalorizado; eu sou cheia de defeitos e erros, mas eu também sou cheia de feridas. Cheia de marcas que ninguém conhece, nem se dispõe a conhecer.

Me sinto traída quando vejo uma pessoa que eu chamava de amiga esquecer de mim. Fingir que eu não existo sem motivo algum. Ver pessoas que eu gosto ficarem com raiva de mim por causa de nada.

Eu tento me encaixar, todos os dias. Eu tento ser uma pessoa melhor, todos os dias. Eu tento ser amiga, companheira, legal mas ninguém parece ligar. As pessoas só ligam para os defeitos, essa é a grande verdade. Eu já tentei de tudo pra manter as pessoas perto de mim, mas parecem que elas decidem ir embora e esquecem que eu existo.

Eu existo pra vocês? Eu realmente existo? Vocês realmente me enxergam? Enxergam os meus esforços? Ou eu sou uma parede branca que não tem função nenhuma?

As coisas que mais me doem são as coisas que mais fazem comigo. A maioria me trata como se eu fosse uma zé ninguém. O que foi que eu fiz pra vocês fazerem isso comigo? Me digam, por favor. Assim como vocês sabem apontar os meus defeitos, saibam me dizer porque vocês me ignoram. Cadê a coragem? Cadê a irreverência, a graça?

Se vocês vão embora, porque vocês chegam?

Vai ter alguém que vai ler esse texto e vai me chmar de dramática e todos os sinônimos possíveis. Sou só isso pra você ou sou mais? Me diga aí. Já me acostumei a levar muitos nomes por causa de coisas que não fiz.

Por favor, não me chamem de amiga, se vocês não conseguem lidar comigo.

Sem valor estimado.

Ninguém sabe o poder de um abraço. Ninguém. Somente aquelas pessoas que, um dia, já precisaram de um. Precisaram e não tinha ninguém para dá-lo. Essas pessoas sabem como um abraço pode mudar uma situação e como ele é benéfico para ambos os lados.

Você está ali, chorando e tudo o que você mais quer é alguém que venha te abraçar e você recoste a cabeça no ombro desta e derrame todas as lágrimas e soluce. É um conforto, é um alívio. É saber que existe alguém com você.

Porque, no fim das contas, mesmo com tantos problemas, a gente só precisa de um abraço.

O que é, o que é?

É olhar para um lado e para o outro e não ver ninguém ao seu redor. É chorar por precisar de um abraço e não tem que o dê. É falar e não ter ninguém pra ouvir. É sentir um peso no coração e não ter com quem compartilhar. É necessitar de um colo pra descansar e não ter. É querer um ombro amigo pra encostar a cabeça e não achar. Isso, meus amigos, é a solidão.

Ponto de vista.

Eu poderia dizer que tenho um avô idoso, que está com depressão profunda, câncer de prostáta, infecção urinária, sondado, que toma muitos e muitos remédios e que não sai mais da cama. Ao invés disso, eu digo que meu avô tem 92 anos, fala, ouve, enxerga e tem uma lucidez melhor que a minha. Digo que, mesmo sendo semi-analfabeto, teve onze filhos e os criou de forma exemplar. Me impressiono com o fato de que ele estava vivo na Primeira Guerra Mundial e viveu na época de Lampião. Dizia eu, até um tempo atrás, que ele não tomava nenhum remédio e tinha a força e a vivacidade de um adulto. E que apesar de tudo, eu nunca esquecerei do sorriso dele ao conversar comigo, ou quando ele me sentava em seu colo e me contava histórias. E eu nunca vou esquecer do dia em que, eu estava deitada na cama e mesmo com toda a sua debilitação, ele mexeu nos meus cabelos, como um sinal que ainda lembrava e me amava.

Eu poderia dizer que a minha avó é semi-analfabeta, que sofre, que não tem mais liberdade por causa do meu avô, que fala errado e que está ficando esquecida e que tem atitudes um tanto quanto atrevidas demais. Ao invés disso, eu olho para ela e vejo alguém que, mesmo com todas as restrições da personalidade rabugenta do meu avô, deu a volta por cima e mesmo não se tornando uma andarilha ou dona de boutique, nunca deixou a personalidade morrer. Mesmo sendo ingênua demais, é uma pessoa simples de coração e que gosta de fazer os outros se sentirem bem. Que foi (e sempre será) uma mulher pra frente, de mente aberta e que sabe usar as palavras como quem tem cartas na manga. E que criou onze filhos com poucos recursos e muito amor.

Eu poderia dizer que minha mãe é deficiente, teve um câncer, é estressada, solitária, mente fechada, ranzinza e orgulhosa. Mas ela é uma vencedora que batalhou até o fim para viver. Que enfrentou o medo que sempre fez com que ela não se arriscasse e voltou a viver. Alguém que viu o seu primeiro namorado morrer e mesmo assim não se deixou abater. Que viu pessoas em que ela sempre confiou darem as costas e traí-la quando ela mais precisou e mesmo assim, não se deixou cair. Que nunca serviu de degrau para ninguém subir e que nunca deixou que ninguém apagasse sua estrela. Que, todo mês, do pouco faz muito e que dá o seu melhor para que todos se sintam bem. Que faz sua personalidade ser lembrada e que deixa claro quem é que tá mandando ali. E que, mesmo viúva, criou sua filha de maneira exemplar e que ensinou para ela o que era certo, o que era errado e o que era possível.

Eu poderia dizer que meu pai era um beberrão, um irracional que deixou minha mãe na pior. Que fez dívidas, que não pensava antes de agir, agia pelo impulso. Só que, para mim, meu pai era o meu exemplo. Era o homem da minha vida. Os olhos verdes que iluminavam a minha manhã. O sorriso mais lindo de todos. O dono da moto que me fazia sentir liberta. Que fazia de tudo para me fazer sorrir e que não me educou batendo. O meu professor de matemática particular, que me ensinou o que eram bombons e chocolate (rs). Que mesmo errando, me deu exemplo. Que sabia lidar com qualquer situação, e que fazia com que todos gostassem dele. Era o mestre na arte da invenção e nunca ficava por baixo. Não se deixava humilhar, mas não humilhava ninguém. Sempre ajudou e sempre foi responsável pelo que cativou.

Eu poderia dizer tantas coisas, tantas. Na vida, todo mundo tem problemas. Todo mundo tem uma barra para enfrentar todos os dias. A vida não é justa, e nunca vai ser. Mas se ela é boa ou ruim, é tudo uma questão de ponto de vista.

P.S.: Te amo, pai.