Oh darling!

Oh darling! Eu conheço sua dor. Você não é

tão invisível quanto pensa. Eu conheço sua dor.

As marcas que você carrega

te destacam na multidão.

Você é especial, só não quer admitir.

Não mude sua personalidade, não force

ser outra pessoa por causa dos outros lá fora.

Eu sei o que você pensa quando coloca a cabeça no travesseiro.

Você tenta sonhar com o paraíso,

mas as cobranças encobrem seus sonhos.

Oh darling, eu já passei por isso.

Eu sonhava com um paraíso que

me parecia inalcançável…

Eu não conseguia dormir por causa dos problemas,

por causa dos meus erros.

Sempre há alguém para nos acusar, não é verdade?

Oh darling, quando estiver assim, faça uma oração,

my darling.

Concentre-se em sua oração.

Tudo ficará melhor, eu garanto.

Você confia em mim?

Faça uma oração, coloque seu coração

em suas palavras, e tudo ficará bem.

Faça uma oração sempre que não estiver bem

e quando estiver também.

E quando você perceber, você terá encontrado o paraíso.

O que faremos nós?

Sua mãe vai morrer. Desculpe leitor pela sequidão de minhas palavras, mas não há jeito legal de dizer más notícias… Ok então, ela não é eterna. Melhor?

Seu vizinho morre, seu gato, a antiga professora, o porteiro, o pedreiro da construção… Todo mundo morre, porque ela não haveria de morrer também? Para mais de seis bilhões de pessoas, ela é uma pessoa qualquer também. Ela é a tia da cantina, a professora, a vizinha. Vê?

“Mas, minha mãe é especial demais pra mim, como viverei sem ela?” Bom, não posso mudar o ciclo da vida. Você tem a informação, utilize-a. Sua mãe não é imortal.

Agora que já tenho a sua atenção, quero que entenda o meu ponto: nossa mãe morre todos os dias e a culpa, na maioria das vezes, é nossa. Cada grito, cada resposta, uma saída sem despedida… Ela morre. Já imaginou quantas vezes já matamos nossa mãe por dia?

A realidade está aí. O que você pode fazer? Aproveitar enquanto o tempo é nosso amigo, se posso chamá-lo assim. Sua mãe morreu um pouco hoje e o que você ofereceu para ela? Um motivo pra viver ou pra morrer?

P.S.: Esse texto não é para as mães, até porque muitas delas nem usam internet. É para nós, os filhos que esquecemos da mortalidade da nossa mãe e esquecemos também que, no fim do dia e das contas, ela é a única que fica realmente do nosso lado.

“O grande homem é, pois, aquele que reconhece quando e em que é pequeno. O homem pequeno é aquele que não reconhece sua pequenez e teme reconhecê-la; que procura mascarar sua tacanhez e estreiteza de vistas com ilusões de força e grandezas alheias. Que se orgulha dos seus grandes generais, mas não de si próprio. Que admira as ideias que não teve, mas nunca as que teve. Que acredita mais arraigadamente nas coisas que menos entende, e que não acredita, no que quer que lhe pareça fácil de assimilar.” Wilhelm Reich